Osman Araújo

Entrevistador – Dimas Marques

Vídeo e Transcrição – Dimas Marques

Olá, amigos, na ressaca das festas juninas que tal curtir mais uma grande entrevista que o Blog do Clube do Vinil de Alagoas compartilha com vocês. Nesse mês de julho apresentamos a história do cantor e compositor Osman Araújo, que lançou seu único LP em 1989. No nosso papo, ele nos conta sobre seu começo nas bandas de baile em Palmeira dos Índios, sua mudança pra Maceió e a entrada no grupo Raízes, a organização do Festival Rock SA, e os detalhes da gravação, prensagem e distribuição de seu LP homônimo. Está muito legal. Escolham se querem ler ou assistir e divirtam-se.

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Dimas Marques – Então, Osman, como se deu o seu primeiro contato com a música, enquanto ouvinte?

Osman Araújo – Meu pai era músico, eu morava em Palmeira dos Índios, sou de Palmeira, e, assim, bem jovem eu já escutava meu pai, ele era músico numa banda de… Tocou em algumas bandas lá, mas tinha uma banda muito conhecida na época, chamava Os Tremendões, e depois de algum tempo eu toquei com ele nessa banda também, tocava bateria. Então tudo começou assim pela influência dele mesmo, ouvindo ele tocar lá em casa, tocava muito violão, tocava cavaquinho, banjo… E estava sempre em contato com ele, ouvindo chorinhos, Altamiro Carrilho, Jacob do Bandolim, aquelas coisas todas, escutava o tempo todo com ele lá. E quando ele ia pra os ensaios da banda, dos Tremendões, a gente ia junto, ficava lá corujando. Até que um dia um cara chamado Gilvan, era o líder, era cantor, tecladista, o cara era uma figura, tocava vários instrumentos e cantava também, era o dono de outro grupo de baile lá de Palmeira chamado Os Milionários. É filho do Genaro, que era dono da empresa de ônibus Palmeirense. E aí a gente, eu estudava num colégio próximo, Colégio Estadual Humberto Mendes, e a gente pulava o muro do colégio pra ir ver os ensaios da banda lá. Um dia o Gilvan estava tocando lá, ensaiando, só brincando com os meninos, o resto dos músicos não tinham chegado, e ele, eu ficava ali na porta encostadinho, e ele tocando lá bateria, e falou comigo sobre meu pai, que tocava, e perguntou se não tocava nada, eu disse que não, mas que tinha vontade de tocar bateria, daí ele me deixou sentar no banco, aí eu sentei um pouco lá na bateria, e a gente ficou fazendo umas ondas, aí ele decidiu criar um grupo de músicos só com pivetes, eu tinha uns 13 anos, e todo mundo também, o irmão dele tinha 13 anos, o Genarinho, o Zé Ilton, que foi o guitarrista que fez o meu disco, tocou todas as músicas desse disco. Zé Ilton, Vevel, que era o baixista, hoje ele mora em Brasília, tinha o Helder e tinha o Amando. Então a gente criou um grupozinho lá de pivetes e ficava tocando nas festinhas do colégio, festas de comemoração a cidade, sete de setembro, emancipação política… A gente estava sempre tocando, e quando a banda grande ia viajar, Os Milionários, o time principal ia viajar, a gente ia de carona com eles no micro-ônibus, e quando eles tocavam numa cidade, no intervalo a gente dava uma canja lá também. Então começou por aí. Depois eu participei dessa banda, Os Tremendões, com meu pai, ele era guitarrista, e eu tocava bateria na banda. Tocamos um pouco lá, e quando eu casei, em 82, eu vim pra cá pra Maceió e entrei na banda Raízes, toquei lá uns oito anos com Pedro, com Carlinhos Kubenia, Pistola, Chomanas, o Edson do trompete, que é professor da escola técnica, Joatan, que hoje mora em Salvador, o Uruba, que hoje é professor da Universidade, toca sax tenor, flauta, o Almir Medeiros, professor Maestro também. Tocamos muito tempo juntos, eu lembro daqueles carnavais da Fênix lá, aqueles bailes de pré-carnaval, tipo tricolor, vermelho e preto, preto e branco… Tocamos aquilo vários anos, oito anos praticamente. Depois eu resolvi fazer um show pessoal, uma coisa das minhas músicas, eu estava compondo alguma coisa, a gente fez um show, tinha um amigo que também era… Participava da banda Raízes, era mais com um produtor, o Sidney Alan, e nós juntos formamos lá um, criamos um show, e fizemos no Teatro Deodoro, “Estrela Cintilante” chamava-se o show. Aí fizemos o show com uma banda grande, com esses músicos todos de metais, o Almir, Joatan, todo mundo, e o Zé Ilton, esse guitarrista de Palmeira, ele veio e participou com a gente do show. Depois nós fizemos um trabalho muito interessante aí, que logo antes a gente estava conversando sobre os meninos das bandas de rock. Então eu e Sidney, nos idealizamos um projeto chamado Rock AS, festival, lá no ginásio do Colégio Marista. Então nós juntamos lá umas dez bandas, aquelas bandas daquela época, todo mundo muito garoto, é porque eu não me lembro muito dos nomes das bandas, mas tinha o Ferrovia Aérea, Máfia Nordestina [sic], ave Maria… Eu sei que eram umas dez bandas, não lembro dos nomes, mas todas foram participantes desse projeto. Nós fizemos em três edições diferentes, fizemos uma lá no Marista, depois fomos e fizemos no Fênix, depois fomos pra Arapiraca com o mesmo grupo, nós fizemos esses três times, esses três shows. Então a música sempre esteve presente na minha vida, depois desse disco, que foi feito em 89, eu viajei pra o Rio, fiquei um tempo lá, seis anos, fiquei tocando em boates lá e tentando divulgar um pouco. Depois voltei pra cá, em 96, fiz um outro disco, Outros Caminhos, que já era um Cd, e em 2001 eu fiz um terceiro trabalho, que chama Terceiro mesmo. Enfim, sempre toquei em bandas de bailes, toquei aqui no Raízes, toquei nos Milionários e nos Tremendões lá em Palmeira, fiz algumas músicas que participaram de festivais, tem uma música que se chama “Voo de Ícaro”, ela foi contemplada no prêmio de melhor interpretação aqui no festival Canta Nordeste, que é um projeto da Rede Globo de divulgar o trabalho de artistas locais no país inteiro, a gente ficou classificado como melhor intérprete nessa época, depois fizemos outros festivais, como o do Sesc, o IZP, que a gente ganhou como a melhor música, com “De Amor e Medo”, no festival que aconteceu lá no Teatro Gustavo Leite. Bom, a música sempre teve constante presença na vida da gente. Ultimamente eu parei um pouco, fiquei uns três anos sem tocar e voltei agora, faço num restaurante chamado O Filé do Zezé, estou fazendo lá nas sextas-feiras, mas de uma forma de voltar pra o mercado, porque a música nunca deixa a gente ficar muito tempo longe, a gente gosta demais e sempre esteve envolvido com isso, e é muito bom tocar, a gente nunca vai ter a possibilidade de parar e não ficar com vontade de voltar. Então a música sempre foi muito constante e presente na minha vida.

DM – E como se deu o seu primeiro contato com o disco de vinil?

OA – Na época pra gravar um disco não havia outra possibilidade, era vinil mesmo. Os vinis sempre foram presentes na minha vida também, porque eu sempre escutava. A gente estava falando de lojas antigas, a Eletrodisco era o meu point ali diário praticamente, a gente ficava lá esmiuçando, procurando aquelas coisas que a gente gostava. Eu sempre gostei muito de música instrumental, então todos esses artistas que hoje são tão conhecidos pra maioria do público, naquela época já era uma coisa conhecida pra mim, Spyro Gyra, Jeff Beck, Bob James, o Chick Corea, Jean-Luc Ponty, Santana, todos esses músicos, esses artistas e bandas a gente ficava lá esmiuçando, procurando lá na Eletrodisco, e sempre achávamos algum coisa que nos interessava, e a gente comprava, então eu tinha um acervo grande de vinis. E na época pra gravar o disco, em 89, não havia outra técnica, era essa mesmo. Então nós fomos ao Recife, não havia gravadoras aqui, hoje temos algumas muito boas, mas na época só havia o Recife como uma referência mais próxima, que foi aonde a gente gravou, com Tovinho, que é o tecladista do Alceu Valença, ele tem um estúdio chamado Estação do Som, nós gravamos o disco lá com ele, que botou teclado em todas as músicas, gostou do trabalho e nos ajudou a produzir e tocou em todas as músicas. Tem até uma participação do guitarrista, que era do Trepidants, chamado Lalá, ele também estava no estúdio na época, gostou do trabalho e pediu pra participar, aí fez essa gravação com a gente também lá. Desde sempre a gente escutou vinil. Ultimamente, sinto amargamente dizer isso, mas não faz mais parte da minha vida, assim como uma coisa habitual, não tenho toca-discos mais em casa, e os vinis foram ficando encostados lá, eu tenho um monte lá em Palmeira ainda, mas não tenho escutado. Então foi assim, o disco não tinha como fazer de outra maneira, aí a gente produziu dessa forma, acetato mesmo na época.

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DM – Havia lojas de disco em Palmeira dos Índios?

OA – Sim, tinha uma… Eita, agora pra lembrar, mas… Vizinho a Tip Top… Lusitânia Discos, acho que era esse o nome, coladinho da… E o cara que trabalhava lá na loja era o baixista dos Milionários, um black power, cantava em inglês e tudo. Era o baixista lá e era um cara que gostava muito de música, e era um dos… Era Pop Som ou era Lusitânia Discos? Agora eu me confundi, mas enfim, lá em Palmeira também tinha lojas de vinil.

DM – Você costumava comprar muito lá?

OA – Comprava direto. Era naquela época que você ficava no dia 31 de dezembro na porta da loja esperando o ônibus chegar com os discos do Roberto Carlos. A gente ficava na fila esperando lá, todo mundo gostava muito do Roberto Carlos, sempre gostei muito. Ultimamente que mudou um pouco a linha de compor, e assim, ficou um pouco repetitivo de repente, mas sempre era um artista que a gente ficava esperando todo final de ano.

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DM – Mas você sempre comprava lá ou também tinha que apelar pra ir pra Maceió pra comprar lá?

OA – Não, porque quando eu morava em Palmeira ainda, até 82, sim, esse era um caminho, a gente tinha os discos lá. Rita Lee também era outro lançamento que a gente ficava louco esperando até chegar “Mania de Você”, aquele disco foi um absurdo de técnico, de bom. Então a gente comprava os discos lá na Lusitânia Discos mesmo, eu acho que é esse o nome… Mas enfim, quando eu vim pra cá pra Maceió… Eu não vinha muito antes dessa minha vinda pra Maceió definitivamente, depois do meu casamento em 82, a gente não vinha muito a Maceió, muito a passeio, a um médico especialista, alguma coisa assim. Mas quando eu vim pra cá, aí sim, a gente comprava direto lá na Eletrodisco, fazia pacotes.

DM – Falando agora do seu começo na música, pode se dizer que foi com essa banda de crianças lá em Palmeira dos Índios?

OA – Isso, Os Milionários Junior.

DM – Foi em que ano que começou essa banda?

OA – 73/74, eu tinha 13 anos.

DM – E quanto tempo durou mais ou menos essa banda?

OA – A banda, mais ou menos uns cinco anos. Primeiro que eu, em seguida, assim, uns dois ou três anos depois, o baterista da banda principal se ausentou, e eu fui convidado pelo seu Genaro pra participar da banda grande. Então eu, já com 13/14 anos, comecei a ganhar minha grana participando da banda principal. Fiquei lá um tempão tocando, cantando com os meninos. Aí depois a banda meio que se dissolveu, fui pra os Tremendões, aí logo em seguida eu viajei pra cá.

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DM – E quanto tempo você ficou nos Tremendões?

OA – Tremendões mais ou menos nessa faixa também, uns três anos.

DM – As duas eram bandas de baile?!

OA – Bandas de baile lá, muito conhecidas. Na verdade só tinham essas duas bandas top lá em Palmeira. Tinham outras bandas, mas essas eram uma referência ali na região, que tinha uma disputa muito grande com Arapiraca, tanto no sentido da música que se fazia nos grupos, quanto dos equipamentos. Eu me lembro, tem uma foto emblemática da gente nessa época, em preto e branco, tocando num clube chamado Aeroclube, que era um dos principais da cidade, não tinham muitos, Aeroclube, AABB… Mas no Aeroclube, a gente tocando com aqueles amplificadores duplos com cabeçote em cima, Palmer, era uma coisa absurda. Naquela época, por exemplo, a gente andava de micro ônibus, a gente tinha um micro ônibus da Palmeirense e viajava, era um luxo, era chique demais, pra quem andava de rural naquela época, ou de Kombi, um micro ônibus, pra banda, era um exagero, como se fosse um avião do grupo Boston.

DM – E como era a cena musical em Palmeira dos Índios, havia só banda de baile, ou tinha compositores mostrando seu trabalho?

OA – Não, era muito raro, se havia eu não tomei conhecimento. Em relação a composições, eu só tenho lembrança de mim mesmo, de compor alguma coisa lá e participar de alguns festivais lá. O Genarinho também compunha alguma coisa, mas não é uma coisa clara na minha cabeça essa de alguém fazendo música na cidade, era uma coisa muito rara, muito rara mesmo. Aqui já era muito diferente, já na época em que vim pra cá, já tinha gente fazendo disco, já tinha gente participando de festival, muita gente participando de festival, mas lá em Palmeira era muito raro, difícil.

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DM – Você lembra que festivais eram esses que você participava em Palmeira?

OA – São aqueles festivais de escola mesmo, patrocinadas pelo colégio, e depois, dos festivais, das coisas que a gente via, que eu me lembro pelo menos, de apresentações públicas, eram tipo show de calouros no cinema São Luís, no cinema Palácio. Não tinha muita… Realmente a cena ali de compositores em Palmeira, não me recordo de nada.

DM – E como se deu a sua mudança pra Maceió?

OA – Foi exatamente por conta do casamento, a cidade já parecia ser pouco… Parecia que nos beneficiaria pouco ficar na cidade, não tinha atrativos, as bandas eram aquelas duas mesmo, a gente queria crescer um pouco, tinha a história do casamento mesmo, que a gente precisava arrumar um outro tipo de renda, entrei no governo do Estado pra trabalhar na Secretaria de Comunicação Social na época. Enfim, a cidade não tinha muitos atrativos, não tinha uma maneira de me dar um retorno financeiro mesmo, então Maceió parecia uma coisa… Era mais próximo, e havia mais possibilidades. Então foi por isso que a gente veio pra cá.

DM – E sua entrada no Grupo Raízes já foi logo que você

OA – Foi bem rápido, e foi uma coisa, assim, por acaso. Eu estava ali na praça Sinimbu, e a Fênix fica por trás, então ali eu ouvi um som, estava rolando um som e eu seco, porque tinha saído de lá e estava sem tocar, só estava trabalhando no Estado mesmo. Ouvi aquele som e quis descobrir o que era, saí por ali rapidinho, escutando e acabei chegando na Fênix, que era onde a banda ensaiava. Exatamente nesse primeiro dia eles estavam tocando, ensaiando, mas o baterista, que era muito famoso na época, e uma figura importante na cena da música, o Beto Batera, não estava. O Beto por acaso tinha faltado, e eu fiquei ali conversando com os meninos, e naquela conversa, nós nos apresentamos como músicos também, eu estava na cidade e não conhecia muita coisa, aí eles me chamaram pra tocar algo com eles. Foi mais ou menos assim, foi uma chance inusitada que aconteceu, e o Pedro nos deu a possibilidade de ensaiar um pouco com eles ali. Eles ensaiavam ali toda a quarta-feira, aí eu ia pra lá, ficava lá corujando, o Beto vinha e ensaiava, às vezes ele faltava, eu ensaiava com eles, depois eu recebi o convite pra tocar na banda. Só que eu ia tocar, e o Beto faltava, prestes a gente tocar, aí ele voltava e eu ficava de lado, aí o Pedro me botou pra cantar com eles. Quando ele viesse pra tocar, aí você canta, quando não viesse, você toca. E a gente ficou fazendo essa dobradinha por um tempo, até que o Beto sofreu um acidente de moto, machucou a perna muito feio, teve que botar uns pinos, aí ficou de molho um tempão e eu assumi, de fato, a bateria lá da banda. Até que conseguimos outro baterista, chamado Tota, puta baterista. Aí ele assumiu a batera definitivamente, e eu fui só cantar.

DM – O Grupo também era de baile?!

OA – Era de baile.

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DM – Mas chegaram a compor, lançar alguma música?

OA – Não, só depois. Nessa época que eu fui pra o Rio de Janeiro, em 91, era aquele auge da música baiana, aí eles fizeram um disco chamado Raízes Tambor, e essa música, “Raízes Tambor”, é uma música minha, eu fiz de lá do Rio, mandei pra eles, que gravaram e puseram o nome do LP assim.

DM – E você ficou quanto tempo na banda?

OA – Na banda Raízes uns cinco ou seis anos mais ou menos.

DM – Então logo daí você já passou para o LP?!

OA – Já passei pra o trabalho solo.

DM – Você já estava com um repertório pronto?

OA – Já tinha muita coisa, o repertório foi feito todo daí. Não me lembro de nada que tenha sido criado pra fazer parte do disco, as músicas já estavam prontas.

DM – Sobre a gravação, você falou que foi pra Recife. Você fez tudo independente, com recurso próprio?

OA – Tudo independente. Vendi um apartamento! Me separei da mulher, é claro. Ela se separou de mim, porque foi uma decisão estúpida, vamos avalia-la dessa maneira hoje. E claro, foi uma decisão idiota, vender um apartamento pra fazer um disco. Eu tinha muita confiança que as coisas aconteceriam, ia tudo dar muito certo, que eu seria um artista eminente. Aquilo ia acontecer rapidinho, depois do disco minha vida iria virar uma maravilha, eu ia vender 100 mil discos e ia ficar rico. Nada disso aconteceu, claro, e por conta disso a minha vida afetiva virou uma bosta… Tem outros motivos, claro, mas assim, provavelmente foi um dos mais sérios.

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DM – E você gravou em quanto tempo?

OA – Foi muito rápido, tipo uma semana a gente já estava com a fita pronta, porque não tinha como ficar meses lá. Você sabe, o artista local, pelo menos o artista do… Eu vejo assim, o artista nesse nível, em que mais ou menos 70% dos artistas alagoanos se encontram num nível que ele tem poucos recursos pra produzir um disco. Ninguém faz um disco gastando três ou quatro meses, como um artista nacional faz. Você não pode mandar os músicos pra o estúdio ensaiar, depois pré-produzir o disco e ouvindo uma voz guia. O que a gente faz aqui, entra todo mundo no estúdio, grava uma primeira base ali e você bota uma voz principal já de cara. Não tem como ficar gastando muito recurso no estúdio pra poder produzir um disco. Não sei hoje como é que anda o mercado, faz tanto tempo que eu não participo do mercado… Mas a gente não tinha tanto tempo assim. Era uma semana. Primeiro, tinha que ficar hospedado lá, gastando dinheiro com hospedagem, alimentação, taxi de um lugar pra o outro pra poder ir pra o estúdio e se mover pra casa de volta. Não tinha muito tempo pra fazer esse disco, foi uma coisa muito rápida.

DM – Você levou algum músico daqui de Maceió pra gravar?

OA – Levei. Nesse disco aqui, o Fábio Andrade, que hoje mora em Recife, foi fazer os baixos, o Almir Medeiros, o Zé Ilton também foi daqui, eu pus bateria em todas as faixas, fiz isso nesse disco, no segundo disco dividi as faixas lá com um baterista chamado Márcio, que mora em Brasília. Deixa eu ver quem foi mais daqui… Não, é isso mesmo, fizemos dessa forma, eu, Zé Ilton, Almir e Fábio. O tecladista foi o Tovinho, a gente botou umas percussões eletrônicas, que criamos lá mesmo. Já o outro disco, o Cd Outros Caminhos, foi gravado aqui, na gravadora do Geraldo Henrique Bulhões, mas fomos remasterizar lá em Recife, remixar, na verdade, porque o disco no estúdio dele era feito de uma forma… Eles pecaram muito na questão da acústica, do tratamento acústico lá, e tinha muitos vazamentos, eu ficava cantando e ouvindo o som da descarga, negócio muito louco. E aí nós fomos pra o Recife terminar lá. Já esse LP foi finalizado na Somax. Tem outro nome, eu acho, Somax parece que é a gravadora de lá, a fabricante de discos, não tenho certeza, mas foi numa outra gravadora. E nós fizemos lá, aí foi, na época, o Fabinho Oliveira, Rogis, que é primo do Fabinho, irmão do Sérginho Lametti, Norberto Vinhas era o guitarrista, mora em São Paulo hoje, aí eu fiz as baterias, o Márcio Silva já tinha gravado muitas também. É, acho que pra Recife só fomos nós três.

DM – E na fabricação, você também teve que mandar fabricar o LP?

OA – Tudo isso aqui, o Lp também foi fabricado pela Comdil. Eu banquei a produção e gravação, e o Jacinto, que era o diretor da Comdil, também era o dono das lojas Aky Discos, foi quem mandou prensar. Essa capa foi feita na gráfica do governo do Estado, a Sergasa. Teve alguns patrocínios, na época Visage era uma loja de roupas, enfim.

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DM – No caso você não gastou nada com a prensagem do disco?!

OA – Com a prensagem desse LP aqui não. Já os outros dois, gravação e prensagem foi tudo… teve alguns patrocínios do terceiro disco também, CNA Gruta, tem… Puxa, escapou, mas tem alguns patrocínios do terceiro disco.

DM – E quantas cópias foram prensadas?

OA – Três mil, desses e dos outros dois, três mil cópias.

DM – E como foi a distribuição?

OA – Distribuição é aquela coisa de ir pra rua, quando ia fazer os shows levava, tinha sempre alguém vendendo o disco lá na hora. Esse LP e o Outros Caminhos, a gente deixou em lojas, o pessoal ainda deu uma força pra gente nesse sentido, já o último disco a gente vendeu todos na mão mesmo, nos lugares onde ia tocar.

DM – Lembra em quais lojas você deixou esses discos?

OA – Rapaz, o nome da loja eu não lembro, mas tinha lá no Hiper da Gruta, não lembro agora. O LP foi nas lojas Aky Discos, distribuí todos lá, o outro eu não lembro.

DM – Era a Estação Cd? Tinha essa loja no Hiper.

OA – Acho que é isso, Estação Cd, de um menino cabeludinho, baixinho? Acho que era a loja principal de lá, nós fizemos até o lançamento lá, com uma tarde de autógrafos. É isso mesmo.

DM – E você conseguiu vender bem os discos?

OA – Nós vendemos todos, essa tiragem de três mil, depois mais uma prensagem de mil, mais outra prensagem de mil. Foram uns cinco mil discos, não foi mais do que isso não.

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DM – Você chegou a fazer uma turnê pra divulgar?

OA – Muito por aqui, uma coisa meio Nordeste, Recife, Aracaju… Mais pelos interiores, Arapiraca, União dos Palmares, Rio Largo, Palmeira mesmo, e aqui em vários lugares. Eu fazia o lançamento em vários lugares, Fênix, fazia em um lugar que era num entroncamento com o Murilópolis, eles faziam muitos shows com artistas locais, enfim, eram os lugares onde a gente tocava mais. A gente meio que levava a turma toda. Tinha aquele espaço da feirinha da Ponta Verde, o Cheiro da Terra, fizemos ali também. Não havia, como também hoje não há, espaço pra você ficar fazendo, e a cidade também, meio que se você faz um show em dois ou três lugares, já não é mais novidade pra ninguém, o público que vai ver um artista local, hoje em dia mudou um bocado, tem artistas aí que fazem um show no Gustavo Leite e leva lá duas mil pessoas, mas esse tipo de artista ainda é muito isolado, assim, um caso em mil, podia citar uns dois ou três na cidade. Mas no geral, muito pouco espaço pra tocar e muito pouca gente pra ver.

DM – Já no seu segundo Cd, em 96, houve algum desejo de lança-lo antes, ou gravar antes, já que teve um espaço de sete anos?

OA – Não, eu sempre vi o mercado como uma coisa que absorvia muito pouco, o meu trabalho pelo menos, não sei dos outros artistas. E eu sempre via que era uma necessidade minha mesmo, lógico, você sempre tem aquele fã, um amigo próximo que cobra um disco novo, e a gente postergando, mas não é uma coisa que o mercado desejasse, uma coisa louca que o mercado quisesse um disco, pra gente se inspirar e fazer um disco novo. A gente fez quando achou que dava, tanto que depois desse terceiro disco, nunca mais tive a necessidade de fazer um disco novo. Eu muito o desejo de fazer um disco que pudesse juntar as músicas desses três trabalhos, tipo um Dvd, uma coisa que contemplasse todos os três trabalhos, e ainda fizesse o registro de umas coisas novas, como músicas que ganharam festivais.

DM – Passou pela sua cabeça em algum momento lançar o segundo disco em vinil, ou já foi direto Cd?

OA – Não. É porque o mercado naquela época já estava dizendo que você não tinha muitas possibilidades de tocar o seu trabalho em rádio, por exemplo, se você não tivesse em Cd. Foi por isso que a gente optou por fazer em Cd logo.

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DM – E qual foi a diferença que você viu, por exemplo, na burocracia e tempo entre mandar prensar um vinil e mandar fabricar um Cd?

OA – Não vi diferença nenhuma. Assim, o mercado já tinha absorvido a técnica toda de produção de um Cd. O tempo que demorou pra gravar o vinil, que havia mais fábricas, que eram eficientes em produzir um LP… O que demorou mais pra fazer foi a capa, a gente teve que ficar esperando, ir várias vezes na gráfica, a qualidade também nem é essa coisa toda do mundo, mas foi um presente incalculável pra nós poder fazer a capa do LP lá, porque já tínhamos gastado muita grana na produção do disco, depois pra prensar seria um outro custo, então ter a capa como sendo um presente, um patrocínio, é inestimável, não tem preço. Mas o tempo que a gente teve pra fazer o LP e o Cd foi praticamente o mesmo. O Cd ainda demorou um pouco mais, porque a gente recebia aquela demo que eles mandavam, juntava os músicos pra escutar, prestava atenção no que estava em desconformidade com aquilo que a gente esperava e mandava de volta pra eles refazerem. Então demorava mais por isso. No caso do LP nem tivemos essa possibilidade, foi pra fábrica e acabou-se, não tinha como remasterizar. Hoje você já pode fazer isso, mas na época, pelo menos pra os recursos que a gente punha, não havia essa possibilidade.

DM – Como você avalia, fazendo uma comparação, a cena musical em Maceió nos anos 80 e nos anos 90, que foi o que você viveu mais ativamente como músico?

OA – Cara, vou dizer uma coisa que vai parecer muito romântica e nostálgica, mas eu me sentia O cara! O artista. Pra mim aquela cena, na época, a gente era abordado na rua como se fosse um artista de nível nacional. As pessoas lhe abordavam na rua pra pedir autógrafo, pra tirar foto, o cara queria saber onde você cortou o cabelo, onde fez as unhas… Esse tipo de coisa. Também tinha uma coisa que foi muito importante pra gente, pelo menos pra mim e outros artistas, como o Roberto Barbosa e o Junior Bahia, que fomos, que eu me lembro, os que fizemos os discos mais ou menos na mesma época. Pra nós, pra mim particularmente, o Pell Marques, que era um programa de Tv local, mas era alcançado no Estado inteiro, ele divulgava demais a imagem da gente. Então todas as vezes que a gente ia num programa daquele aos sábados e gravava, depois viajava pra tocar no interior, quando você chegava lá, era recebido como se fosse O cara. Então pra mim foi muito importante. Hoje em dia, a possibilidade, os recursos que você tem pra divulgar o seu trabalho são outros, e acho que são mais eficientes, a internet é o exemplo mais foda disso, você tem ali Instagram, Facebook e Whatsapp, que pode levar você pra o mundo inteiro, não só pra o Estado de Alagoas. Mas pra mim foi tudo, na verdade. Naquela época da cena da música, pra mim, ela foi mais importante que qualquer coisa, eu era muito valorizado pelo trabalho que a gente fazia. A gente às vezes era confundido com artistas que eram de outro Estado, tipo do Sudeste do país, que a música tocava na rádio, e o cara queria saber de onde era aquele artista, e não concebia que ele tinha feito aquela música aqui. Então era muito, pra mim foi muito importante, eu tive todas as coisas que eu podia ter, ganhei toda a grana que eu podia ganhar naquela época com o trabalho de música, porque eu era reconhecido de fato como artista no Estado.

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DM – Falando agora dos festivais. Quais festivais você participou?

OA – Festival do Sesc, que foi onde tivemos nossa música classificada, e o Festival do IZP, que foi primeiro lugar, música melhor classificada. Nesse mesmo festival, o Luizinho de Assis, da Vibrações, foi melhor intérprete. E teve o Festival Canta Nordeste, que fomos o melhor intérprete.

DM – O Canta Nordeste, como se deu esse festival, você teve que ir pra o Rio de Janeiro ou pra São Paulo?

OA – Não, eles faziam etapas regionais, a daqui foi feita aqui mesmo, naquele estacionamento onde é hoje aquele monumento na praia da Avenida, o Memorial da República, um pouco mais pra frente no estacionamento do Jaraguá.

DM – Mas suas músicas saíram em disco nesses festivais?

OA – Não, eu nem me lembro como era o processo naquela época, sei que nós fomos classificados como melhor intérprete, mas não me lembro de nenhum desfecho, encaminhamento pra isso depois. Essa música se chamava “Voo de Ícaro”, foi um garoto que escreveu a letra.

DM – Você falou do Festival do IZP, tá falando do Em Cantos?

OA – Não, festival do IZP, I Festival de Música do IZP, que é até aquele que teve votação pela rádio e internet, você acessava a internet, e depois houve a constatação de que estava havendo fraude, que as pessoas estavam votando na mesma música 500 mil vezes, aí houve uma reunião e eles cancelaram esse sistema de votação, e houve uma votação interna pra escolher as músicas que iam participar do festival.

DM – Foi em que ano esse festival?

OA – Ih, cara, sou péssimo pra datas. Não vou lembrar, depois você dá uma pesquisada, mas foi o festival do IZP, primeiro e único, porque não houve outro. Inclusive nós fomos depois convidados pra fazer uma gravação em vídeo, que ia sair em Dvd nesse festival. Foi feito a gravação, até lá no Teatro Linda Mascarenhas, mas ficou por isso mesmo, não rolou mais nada não.

DM – O do Sesc teve Cd, qual foi o ano que você participou dele?

OA – Também não lembro não, mas foi muito próximo do festival do IZP. O nome da música é “A Primeira” (10ª edição, 2008).

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DM – Todas as músicas são inéditas?

OA – Isso.

DM – Falando agora sobre produção, você mencionou o Rock SA, como você começou na produção independente?

OA – Foi um negócio bacana demais, também só produzimos aquilo mesmo, fizemos o Rock SA Festival. Estávamos eu e o Sidney, e a gente convidou essas bandas na época, por isso que eu falo que na época a gente tinha um acesso maior e uma forma de divulgar o seu trabalho muito mais espontânea e muito mais abrangente. Na época, pra você ter uma ideia, a Tv Gazeta ia todas as semanas e a gente divulgava uma banda, isso até o dia do show. Era tipo um acerto com a Gazeta, lógico de cavalheiros, a Gazeta ia ao local onde a banda estava ensaiando, gravava aquele ensaio com uma daquelas bandas de rock, eu tenho que lembrar, vou perguntar até pra o Luciano Falcão, o Alessandro Calcinha e outros músicos pra eu ter o registro dos nomes das bandas. Eu devo ter em alguma pasta em casa com recorte daquelas coisas os ingressos, aí tem os nomes das bandas. O Júnior Almeida fez o show anterior ao meu, a gente fez as dez bandas, depois o Júnior faz um show, e eu encerro. Nessa época toda semana uma das bandas ia fazer o ensaio e a Gazeta filmava e divulgava os caras, e na outra semana de novo, e de novo… Todas as dez bandas. Era muito fácil fazer isso, hoje pra você fazer uma agenda pra uma Gazeta de entrevistar, é uma novela, você não toca mais a sua música se você não pagar a rádio, naquela época os caras pediam pra você o disco, pra levar e divulgar sua música. Hoje em dia nenhum artista consegue tocar sua música lá na rádio se não tiver aquele velho jabá, todo mundo sabe disso. O que toca na rádio mesmo é aquela programação nacional, que também é paga, e é muito bem paga. Não tem como o artista divulgar, você ouve a música de quem na Rádio Gazeta, na 97, nessas outras rádios? Você só ouve o artista local na Educativa.

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DM – Foram três edições o Rock SA, lembra os anos de cada um?

OA – Foi tudo no mesmo ano, nós só fizemos locais diferentes. Fizemos no Marista, depois no Clube da Fênix, Arapiraca e Palmeira dos Índios. Foram quatro apresentações.

DM – Tudo com banda autoral.

OA – Todas as bandas tocando rock autoral.

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DM – Não tinha nenhum cover?

OA – Nada. Assim, quando eu ia tocar, tocava as minhas músicas e músicas que tocava em baile também, mas as bandas de rock só tocavam suas músicas.

DM – Você lembra o ano que aconteceu esse festival?

OA – 94/95, vou me certificar e te ratifico ou retifico essa data. (Aconteceu em 1987).

DM – E falando agora do seu último Cd, houve algum problema com pirataria, algo do tipo nessa época?

OA – Não, que eu saiba não. Olha, um dos Cd’s que eu me lembre, e isso é notório o caso, de pirataria que eu conheço aqui chama Dudel, mas ele fez um trabalho cover, com a bateria eletrônica e o violão dele, gravou todas as músicas que você conhece da noite, tipo “Dia Branco”, “Você é Linda” e “Andanças”, nessa linha, e música do Roberto Barbosa, por exemplo, “Ponta de Lápis”, Carlos Moura, “Minha Sereia”, artistas locais só me lembro dessas duas músicas gravadas nesse Cd. Esse cara vendeu mais de 30 mil discos com esse trabalho, ele tocava na praia do Gunga… E todo visitante levava, como é hoje a música do Roberto, eu toco mesmo no restaurante lá, no Zezé, e as pessoas que vem de fora pedem essa música, ela é um hino. Aí o Dudel foi copiado por aqueles barraqueiros, o pessoal que vendia Cd’s nos carrinhos, eles copiavam pra vender. Esse é um caso clássico do pirata.

DM – E a questão dos custos do segundo Cd pra o terceiro, que um foi em 96 e o outro em 2001. Teve algum barateamento dos custos pra o terceiro Cd?

OA – Nada, pelo contrário, ele aumentou. Tem a questão da tecnologia, outros tipos de equipamento, técnico… Então aumentou um pouco. Não muita coisa também, assim, mas de fato a gente tem um aumento no custo.

DM – Você fazia shows regularmente, também pra divulgar o seu segundo e terceiro Cd?

OA – Direto! Fizemos muitas coisas, na cidade fizemos muitos shows e essas viagens próximas. Mas tocamos muito pra divulgar o trabalho.

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DM – E como era o seu público, tanto nos anos 80 até os shows do terceiro Cd?

OA – Era sempre muito bacana, eu me sentia privilegiado demais. O show que a gente fez mesmo de lançamento do Sesc Poço, negócio bacana, o Baigon na época era um dos caras responsáveis pela área de música lá, ele nos deu uma noite especial, com coffebreak, mesa pra autógrafo, foi um negócio lindo demais. Essa é uma das memórias boas que eu tenho do lançamento do disco. Em todos os locais que a gente fazia alguma coisa pra divulgar, pra fazer o lançamento, a gente era muito bem recebido, as pessoas iam curtir, nos deixava muito felizes.

DM – E no Rock SA o público também foi bom?

OA – Cara, negócio louco, vou contar pra você. Nesse dia, antes da realização do show, eu estava na casa do Sidney, fui pra lá pra trocar de roupa, ficar sossegado, seu Batista, Dona Diva e os irmãos do Sidney, o Disney e Disdney… Aí eu estava na casa deles trocando de roupa, e o Sidney já estava lá no Marista, aí a gente ficava falando, ele ligava, não tinha celular, ligava pra casa, falava que estava chovendo, que ia ser problema, porque era dentro do ginásio, mas as pessoas tinham que chegar lá. E aí, velho, eu fiquei trocando de roupa, mandei fazer uma roupa bonita lá, nova, me arrumei todinho lá e peguei um táxi pra subir. Na saída de casa, tipo uma hora antes, a notícia era que o pessoal das bandas estavam chegando, mas aí eu saí de casa, eles moravam ali no Poço, perto da Reitoria, e eu saí de lá em direção a rodoviária, e na subida você não andava mais de carro, engarrafado. Pense numa emoção. Foi bacana, porque aquilo, e você conversar com os meninos das bandas depois, foi uma forma de mostrar pra cidade que tinha uma cena cultural de música muito forte, que aquelas bandas todas queriam ser mostradas, e as pessoas queriam vê-las. Foi uma emoção sem tamanho, negócio que até hoje eu falo e me emociono, porque foi muito bonito de ver, o ginásio inteiro lotado, como se fosse um artista internacional, negócio muito bacana, foi muito gratificante pra gente.

DM – Foi assim nas quatro apresentações?

OA – Não, aí você já esvaziou. Quando você fez aquela no ginásio do Marista, já tomou a cidade, aí na Fênix já foi um outro tipo de público, outro tipo não, mas um público menor, mas ainda assim nós lotamos aquela parte do ginásio da Fênix. Em contrapartida, nas duas cidades, em Palmeira e Arapiraca, essa necessidade de se ouvir rock já não é tão interessante, as pessoas estão ligadas em outro tipo de som, já não tivemos mais essa efervescência, essa contemplação do público e essa vontade de ver as bandas, mas ainda assim foi muito bacana. Agora o Fênix e Marista, principalmente, absurdo.

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DM – Pra encerra, seus planos pra o futuro, você pensa em gravar algum disco de novo, ou produzir algum festival?

OA – É aquilo, Dimas, que eu estava falando, tenho muita vontade de fazer um Dvd, uma coisa que eu pudesse juntar… Tenho vontade não, eu vou produzir isso! Eu tenho que ver agora como é que vou produzir isso de uma maneira que seja menos custosa, porque captar recurso do Estado eu acho um desastre, a coisa mais enfadonha e cansativa você preencher aqueles formulários todos, submeter a regras que você nem conhece direito, todo um mecanismo burocrático e enfadonho. Enfim, só se eu tivesse uma pessoa que fizesse isso pra mim e eu ficasse esperando pra um dia… E tem mais isso, eu vou ficar com 70 anos, daqui a pouco vou entrar no palco de bengala, não dá. Aí eu tenho que ver uma maneira de conseguir captar recursos na empresa privada mesmo, ou alguma coisa que eu mesmo possa bancar pra fazer o trabalho. Esse é o processo que vai validar a possibilidade de fazer o Dvd. Mas é o que eu quero, um Dvd que possa contemplar os três trabalhos, com algumas coisas recentes, até músicas de autores regionais que eu goste muito, tem que canções que você sabe, não sei se passa pela sua cabeça, mas eu, como artista e cantor, tem músicas que eu escuto e desejaria ter feito isso. Então tem alguns compositores regionais, alagoanos principalmente, que eu ouço a música do cara e queria ter composto. Se eu tiver a possibilidade de gravar nesse trabalho, vai me fazer muito bem.

DM – E músicas novas, você tem coisas engavetadas?

OA – Tenho uma porção delas, de vez em quando sai alguma coisa. É porque, até vontade de ficar divulgando isso, assim, de uma maneira mais improvisada, eu não tenho essa vontade, prefiro deixa-las lá e maturando, sempre tem alguma coisa que você quer modificar, tem algumas canções que eu quero muito mandar pra amigos, conversei em outra época com Eliezer Setton, Ricardo Mota, Mácleim… De ter uma letra que ele ponha uma música, ou ter uma música que eles façam os versos. De repente a gente possa até consolidar uma parceria, que é uma coisa boa.

DM – Gostaria de agradecer.

OA – Eu que agradeço a você, poxa. Não sei onde que você foi me achar, estava tão escondido. Obrigado.

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Sobre Clube do Vinil de Alagoas

Amigos com uma paixão em comum: música. De preferência analógica.
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